[Personalidade] Josephine Baker – De dançarina de rua à Vênus Negra

A década de 20 foi marcada por movimentos importantes, que ditariam o modo de viver de quase toda a população. Enquanto os EUA eram ainda uma das maiores potências do mundo – prosperidade essa que teve uma queda com a crise de 29 com a quebra da bolsa de valores – e a Europa sofria consequências da Primeira Guerra Mundial, na cultura e nos costumes, houve mais liberdade – contraditório não? – mas deixe-me explicar. Na década de 20, os filmes de Clara Bow e as comédias de Chaplin, imperavam no cinema, assim como os movimentos de vanguarda, da União Soviética refizeram o mesmo. Na mesma época também surgiram importantes movimentos artísticos, como o dadaísmo e o surrealismo. Enquanto isso, na França surgia uma dançaria afro-americana, que se apresentava nos teatros de Paris e ditaria moda para todo mundo. Divulgando os banhos de sol.

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O nome, era Freda Josephine McDonald. Nascida em St. Louis se naturalizou francesa em 1937. Era filha de Carrie McDonald e seu pai é incerto, alguns biógrafos afirmam que seu pai era Eddie Carson, que certamente foi amante de sua mãe, mas Josephine acreditava que seu pai era branco. Ela era fruto de uma poderosa miscigenação racial: tinha herança negra, de escravos da Carolina do Sul, mas também possuía a herança genética de índios americanos do Apalaches.

Começou sua carreira, ainda muito jovem, dançando nas ruas para conseguir algum dinheiro, foi lavadeira, assim como sua mãe e sua irmã e trabalhou para senhoras malvadas. Um dia conseguiu um emprego de camareira da diva negra Clara Smith e conseguiu a oportunidade de substituir uma corista. Aos 15 anos, casou- se com William Howard Baker e ganhou seu sobrenome, mas deixou-o dois anos depois, quando saiu de St. Louis, devido à grande discriminação racial que havia na cidade. Aos 19, arrumou uma vaga num show da Broadway. Achavam que ela fazia muitas caretas e que tinha olhos vesgos. Por sorte, foi selecionada para participar de “Revue Nègre” em Paris.

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Em 02 de outubro de 1925, aterrissou em Paris e seu sucesso foi imediato. Ao estrear no Théâtre des Champs-Élysées, dançando praticamente nua uma coreografia erótica. O espetáculo daquela noite envolvia atrações como os bailados exóticos e os negros zulus. Josephine consolidou sua fama no ano seguinte quando voltou para França e estreou no Folies Bergères e no Cassino de Paris. Sua primeira performance foi a famosa dança da banana, em que se apresentava vestida somente com uma tanga feita com as frutas. Ela rapidamente tornou-se a favorita da França. Por causa de seu grande sucesso, foi uma grande concorrente de Mistinguetti, vedete francesa que sugeria a nudez em suas performances através de suas belas pernas, ao passo que Josephine era bem mais explícita. Muitos afirmam que Mistinguett mais elitista, Josephine mais popular.

Durante a Segunda Guerra Mundial, teve um importante papel na resistência contra a ocupação, atuando como espiã. Sua luta contra o racismo lhe rendeu as duas mais altas condecorações da França, a Cruz de Guerra e a Legião de Honra, recebeu também a Medalha da Resistência.

Os anos 50 foram decisivos para Baker, além de participar da luta contra o racismo e pela emancipação dos negros, apoiando o Movimento dos Direitos Civis de Marthin Luther King, ela também trabalhou na National Association for the Advancement of Colored People (NAACP). Não se satisfazendo com isso, ela começou a adotar crianças órfãs – que se somaram em 12, aos quais chamavam “tribo-arco-íris” – e animais de todas as raças – incluindo um guepardo, que se chamava Chiquita.

Josephine Baker esteve no Brasil pela primeira vez em 1929. Apresentou-se no Teatro Cassino, no Rio de Janeiro. Voltou em 52 e contracenou com Grande Otelo no show “Casamento de Preto”, onde cantava “Boneca de Piche” em português. Em 63 fez uma temporada no Copacabana Palace e apresentou-se no Teatro Record, em São Paulo. Esteve pela última vez no Brasil em 1971, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em Porto Alegre.

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Quando enfrentou dificuldades financeiras, recebeu ajuda da princesa Grace, de Mônaco, que ofereceu a ela uma casa no Principado. A dançarina se preparava para comemorar os 50 anos de palco, quando entrou em coma e faleceu aos 68 anos, seu funeral foi em Paris e ela foi enterrada em Mônaco, onde passou o final de sua vida.

Referências:

Wikipedia Josephine Baker

Educação Uol Biografias Josephine Baker

Fotos:

We Heart It – Josephine Baker